Democracia e Soberania Popular

Enfrentamento ao Racismo Institucional


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Blog do Luiz Otávio

 

 

Filósofo, Mestre e Doutor em Educação. Realiza atividades de Conferências, Palestras e Cursos em Instituições como Banco do Brasil, Banco Itaú, Souza Cruz, Grupo Gerdau, Gessy-Lever, Mercedez Bens, Sabesp, General Motors, Volkswagen, Embraer, ABN AMRO, entre outros. Eleito pela Revista Exame como um dos 10 maiores Palestrantes do Brasil.

“...A tarefa central e prioritária na nossa Nação é a construção da cidadania. E essa tarefa deve e pode se dar em vários níveis, seja na sociedade civil, seja na sociedade política. No aparelho de Estado ou no Legislativo, teremos a possibilidade de colaborar imensamente na construção da cidadania.

O primeiro mito, então, é achar que temos de resgatar a cidadania, quando — isto sim — precisamos construí-la.

O segundo deles é opor, como instâncias diversas, a política e a cidadania, quando na prática estas se identificam.

O que muitos fazem — e os senhores sabem que não deve ser feito — é confundir política com partido.

Política partidária é uma das maneiras de se fazer política; não é a única, não é exclusiva e não é sempre a adequada em todos os níveis.

Mas a política, de maneira geral, é qualquer tipo de ação que se tenha dentro da sociedade.

O Paulo Freire sempre dizia que temos uma ação política todas as vezes em que se faz

educação e, portanto, o que se tem de falar é: projeto políticopedagógico.

Em que sentido de política?

Como dizia, não necessariamente partidária. Partido é uma opção individual das pessoas, como cidadãos, ou dos grupos organizados. Porém, a ação política é sempre feita...”

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“Liberdade, Igualdade e Fraternidade.”

“..Talvez pensem em duas coisas. A primeira é que estou atrasado; fiquei duzentos anos ultrapassado. A segunda, e talvez a mais perigosa, é imaginar que eu seja cínico e que estou usando um discurso cínico. E poderiam dizer que hoje ninguém mais acredita nessa história. Na idéia de democracia ainda se acredita, mas falar em fraternidade, em soberania e em participação popular, algumas pessoas acham que não é possível.

Há um perigo muito grande no nosso cotidiano, que é ser atropelado pelo óbvio; que é ser vítima do óbvio;  ser refém do óbvio. O óbvio é aquele que olha as coisas e pensa que as coisas não podem ser diferentes do que são; que as coisas são assim e nada pode ser feito. Isso vale quando se pensa em democracia, em cidadania e economia. Quantas pessoas dizem: “O que podemos fazer?”

E aí habitua-se com o desemprego, com a chacina, com a perda da capacidade e da dignidade...”

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“...Não podemos nos esquecer de que no que se refere a cidadania, a noção não é de qualidade total, mas de qualidade social. Aliás, e é fundamental, se não há quantidade total, não há qualidade. Numa democracia, a ausência da quantidade total atendida não é sinal de qualidade. Ao contrário, numa democracia, se não houver quantidade total, não há qualidade.

Há um caldo no qual se ferve exatamente a perspectiva que numa democracia, quantidade total é sinal de qualidade social. Numa democracia, se não há quantidade total atendida, não há qualidade social. Quantidade não-atendida não significa qualidade.

Qualidade sem quantidade não é qualidade; é privilégio.

Democracia com cidadania implica ausência de privilégios...”

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“...Não permita o falecimento da esperança, não admita como normal coisas que quebram, coisas que não são parte da vida, parte da destruição da capacidade da vida e da dignidade coletiva. São parte da capacidade de não proteger a vida nas suas múltiplas formas, nas suas múltiplas manifestações.

Outra verdade é a seguinte, a confusão que muitos fazem entre quantidade e qualidade, imaginando que se possa falar, numa democracia, em qualidade, sem que haja a quantidade total atendida. É interessante, porque é muito comum se achar que algumas dessas coisas são normais, e esse é um conceito perigoso. Todas as vezes que se fala em democracia, cidadania e participação, lembro-me do risco de sermos, como dizia antes, atropelados pelo óbvio e pelo normal.

Por que estou falando tudo isso? Para amarrar um pouco o raciocínio. Cuidado, o diabólico — e não falo do diabólico no sentido religioso — está no nosso cotidiano; ocorre todas as vezes em que se desune e se quebra a cidadania. A soberania e a participação popular são antídotos contra o diabólico; são maneiras — vou usar uma expressão indevida, mas que cabe nesta idéia — de exorcizar o diabólico. A única maneira, no meu entender, de exorcizar o diabólico no nosso cotidiano é estimular a participação popular.

Não acredito, de maneira alguma, que qualquer ação governamental, seja ela de natureza do Legislativo, do Judiciário ou do Executivo, tenha eficácia se ela não for apropriada pela população.

Atenção à expressão “apropriada”. “Apropriado” significa tornado próprio, tornado seu.

Intenção fundamental: fazer com que cada vez mais a população entenda que, além dos seus representantes, os quais são legítimos e também têm suas tarefas, existem canais por meio dos quais podemos expressar nossa capacidade de participação e de antídotos contra o diabólico.

Está clara essa relação entre o simbólico e o diabólico? Ora, que é o simbólico? A construção da cidadania com a quebra de privilégios, que não entenda a qualidade como sendo exclusiva para poucos, porque, como eu dizia, aí ela é privilégio; que entenda que a capacidade de proteção da vida tem que ser apresentada na sua dimensão múltipla, na sua dimensão de totalidade. A regra é quantidade total. Quantidade total é sinal de qualidade social. Sem quantidade total, não há cidadania. E digo isso em relação à educação, à saúde, à habitação, ao emprego...”

 

Clique e conheça a íntegra do Seminário Democracia e Soberania Popular

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